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Nota de falecimento: morre Plínio Graça
01/07/2011

Nota de Falecimento

O Centro Brasileiro de Arqueologia - CBA, está de luto e consternado com a notícia do falecimento do sr. Plínio Graça, um dos baluartes da política e da história da cidade de Bananal/SP.

Nossos sinceros sentimentos à família e amigos.

PLÍNIO GRAÇA

Nascido em Bananal em 24 de fevereiro de 1924, filho de Ernani Graça e Leônia de Almeida Graça, Plínio Graça começou os estudos no Grupo Escolar Coronel Nogueira Cobra. Aos 14 anos, foi para Pindamonhangaba concluir o ginasial. Cursou o cientifico no Rio de Janeiro e ingressou na Faculdade de Medicina, que abandonou no primeiro ano. Retornou a Bananal onde foi trabalhar com o pai na Pharmacia Popular. Foi provedor da Santa Casa da Misericórdia de Bananal de 1956 a 1976. Ingressou na vida política sendo prefeito em 1963 e 1973 e vice-prefeito em 1959 e 1992.

Proprietário da Pharmacia Popular, o Sr. Plínio Graça assumiu a farmácia em 1956, após o falecimento de seu pai, o farmacêutico e ex-prefeito Ernani Graça, dando continuidade à política adotada pelo genitor, cuidando tão bem dos clientes quanto do acervo da farmácia.

Plínio Graça, tal como o pai, foi Prefeito por dois mandatos. O primeiro mandato se estendeu de 1964 até 1968, sendo presidente da Câmara de Vereadores sua irmã a Professora Maria Aparecida Graça. Sucedido pelo prefeito Washington Luiz Carvalho Bruno entre 1969 e 1972, Plínio Graça foi reeleito para o período de 1973 até 1976. Plínio foi ainda vice-prefeito entre 1960 a 1964, no mandato do prefeito Vicente de Paula Almeida.

Plinio Graça em sua Pharmacia Popular

Quando o farmacêutico Ernani Graça assumiu a propriedade, já existia um grande acervo histórico preservado pelos antigos donos, e que continuou em perfeito estado nas mãos da família Graça. Após o falecimento do pai, em 1956, Plínio Graça decidiu manter a drogaria em funcionamento.

 "Meu pai era muito conservador e tinha um grande amor pela farmácia, por isso continuei com o seu trabalho", explicava Plínio Graça em suas palestras.

A história da farmácia chamou a atenção de veículos de comunicação, historiadores e estudiosos, e rendeu o prêmio da Fundação Roberto Marinho, em reconhecimento como a farmácia mais antiga do Brasil ainda em funcionamento.

Apesar da "fama" conquistada, Graça afirmava que, "nos últimos anos, o movimento na drogaria é fraco, porém as visitas para conhecer o acervo histórico são constantes. Para manter as características originais, abrimos mão da modernização e isso influenciou o movimento".

O proprietário reivindicou a ajuda da prefeitura e do governo estadual para auxiliar na conservação e manutenção do acervo, por sua importância para a história nacional.

 "Já encaminhamos diversos pedidos, mas não fomos atendidos. Esperamos que a nova administração nos ajude a manter esse bem tão precioso"  lamentava Plínio com uma indisfarçada tristeza.

O Sr. Plínio lembrava de quando a estrada Rio-São Paulo passava em frente à farmácia, “Bananal era outra coisa”, a cidade tinha mais movimento e sua farmácia era muito procurada não apenas para compra de medicamentos, mas também por viajantes que desejavam conhecer o acervo histórico e ouvir suas narrativas sobre os tempos em que o pai Ernani Graça era o responsável pelo atendimento. A grande preocupação do senhor Plínio Graça, e de todos que reconhecem o valor do acervo, era com a provável perda que certamente ocorrerá se não for feito o imediato tombamento de todo o acervo ainda ali depositado. A farmácia faz parte do primeiro acervo cultural farmacêutico, sobe o patrocínio da Roche do Brasil, com o apoio do Conselho Federal de Farmácia e da Academia Nacional de Farmácia.

Plínio Graça, com talento e afeição, dividia seu tempo entre o trabalho e o resgate da memória de sua farmácia,  sem perder de vista, é claro, a “mardita” política. Ambas se completam. Como ele mesmo dizia, com razão, farmácia é ciência. Lá é possível saber que os boticários, precursores dos farmacêuticos, tinham um manual fixo para consultas - o formulário Chernoviz -, publicado regularmente entre 1830 e 1924, que trazia informações sobre plantas, ervas medicinais e aromáticas, diagnósticos, indicações de medicamentos, novidades. O Sr. Plínio conservou a fachada, a máquina registradora, a balança, vidros com rótulos folheados a ouro, com pós, raízes e pomadas, potes de porcelana francesa e muitas outras curiosidades da época do império.

Mas Plínio Graça não se preocupava apenas com o acervo da sua farmácia, mas com todo o patrimônio municipal. Basta lembrar sua preocupação com o destino da maravilhosa Estação Ferroviária, única nas Américas - havendo outra igual somente uma na Bélgica -, que agora passa a ser gerida pelos Correios, deixando de ser usada pela prefeitura. Eis o depoimento:
 
Com a queda da economia do café e do leite, em 1920 os fazendeiros não tinham mais como custear os luxos que existiam na cidade. Resultado: a Estação passou a integrar o patrimônio da União. A ferrovia foi desativada em 1963, e a estação doada aos Correios em 1976. "Na época nós tentamos de todas as formas manter a ferrovia em funcionamento, mas um decreto do presidente Jânio Quadros ordenou a desativação, alegando que manter a operação trazia prejuízo ao país", contou Plínio Graça, ex-prefeito de Bananal.
           
Na década de 80, quando completou 100 anos, a estação foi restaurada com verbas do CONDEPHAAT. Hoje, o prédio que completou 121 anos no dia 3 de janeiro, está vazio. Os trilhos já não existem mais, a locomotiva e os móveis da estação foram levados para o Museu Imperial de Petrópolis. "É uma pena, boa parte da nossa história estava na estação, que podia ser hoje um centro cultural", dizia Plínio Graça, prefeito da cidade na época da desativação da ferrovia.

São visíveis também os sinais do período em que o prédio permanece fechado. Ferrugem e marcas de vandalismo podem ser observadas na área externa. O detalhe é que a estação foi importada da Bélgica. Feita em placas de metal, ela é totalmente desmontável. É a única do gênero na América Latina. Com a abolição da escravatura, em 1888, tudo mudou. A ferrovia passou do café para o leite. Levava a pouca produção da cidade até Barra Mansa. Em 1920, os fazendeiros não tinham mais como custear os luxos que existiam na cidade. Resultado: a Estação passou a integrar o patrimônio da União e o palacete Solar dos Valim foi entregue ao governo do estado, que o transformou em uma escola.

A ferrovia funcionou com pelo menos duas partidas ao dia até 1963, quando foi desativada pelo então presidente, Jânio Quadros. O prefeito em 1964 era Plínio Graça. Ele tentou de tudo para reativar a ferrovia, sem sucesso. O Decreto de Jânio foi motivado pelo alto custo de manutenção da ferrovia.
 
Quem pesquisa sobre a Estação Ferroviária na internet, lê que hoje ela abriga um centro cultural, uma biblioteca e a rodoviária da cidade. Mas não é a realidade. A Estação foi tomada na justiça pelos Correios, e hoje está totalmente desativada, à espera do final do processo.

Plínio Graça lamentava a situação e torcia para que a Estação passasse definitivamente para a prefeitura de Bananal, que ali poderia construir o Museu da Cidade.

Fonte: "Pharmacia Popular", da série "Pergaminhos", editada pelo CBA, em março de 2011.



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